ORNITORRINCO

MELHORES LEITURAS (2014)

Agora é certo: 2014 vai acabar. Estamos a poucos dias para isso acontecer. Em tempos de listas, e seguindo os moldes de outras publicações, queremos revelar os melhores livros lidos em 2014 aqui no ORNITORRINCO. Não são os melhores livros publicados neste ano, mas sim as leituras que nos marcaram. Contei com a assistência da Julia Wähmann para definir quem seriam os colaboradores. E para fazer diferente pensei em convidar não apenas escritores, mas pessoas que têm alguma relação com a escrita. No entanto, a maioria dos que responderam foram de fato os escritores (mandei para um físico que não me retornou e para um médico que disse que não teve tempo de ler esse ano). Pedi para que cada um indicasse no máximo três livros e que escrevesse linhas breves sobre os títulos contando porque estes livros foram importantes. O que você vai ler a seguir são as respostas deles do jeito como as recebi por e-mail (tirando, claro, o “Oi Pardal, tudo bem?”).

Cada resposta está com links externos para você conhecer mais o colaborador, o autor e as obras indicadas. Espero que esta lista lhe estimule a ler mais no ano que vem. Boa leitura.
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Arthur “Tuca” Tertuliano
(colunista do Posfácio e do Leitor Comum)

Eu não sei brincar de “Melhores Leituras do Ano”: ano passado, em vez de escolher um livro, escolhi uns sete – isso depois de ter citado umas trinta menções honrosas. Fico feliz de poder escolher três para o Ornitorrinco.

De cara, tenho de citar Um teto todo seu, de Virginia Woolf: me presenteei com a nova edição desse livro (saiu pela Autêntica) pouco depois do evento que me impediu de ler muita coisa esse ano – a banca de defesa do mestrado. O mérito não é exclusivo da tradução quando digo que o livro parece ter sido escrito hoje: o mundo melhorou, mas a misoginia persiste sendo um mal entranhado em nossa cultura e sociedade. Não obstante, Woolf consegue escrever com surpreendente leveza (e humor, algo que eu não esperava) esse ensaio sobre “mulheres e a ficção”. Um livro pra ter na cabeceira e reler algumas vezes por ano.

Indico também Por escrito, de Elvira Vigna. Meu exemplar não pode ser visto por quem acha que livros devem ser lidos dentro de uma redoma para não estragarem: eu usava um lápis como marcador de páginas para ter sempre à mão algo com que sublinhar e circular minhas citações favoritas. E são muitas. Lembrei-me de Woolf durante a leitura: é um baita livro feminista. É, também, um baita elogio ao mundo contemporâneo – ainda que plenamente consciente de suas mazelas, haja vista a atenção da autora aos detalhes, aos gestos, ao ínfimo. Um livro que diz a que veio.

Se o livro de Vigna é um elogio ao mundo que temos, o novo romance Exorcismos, amores e uma dose de blues, do Eric Novello, empolga por mostrar o que poderíamos ter. Gosto de saber que na ficção especulativa podemos encontrar outros mundos possíveis – como um universo em que as formas de locomoção são mais sustentáveis ou em que certas religiões não são aspectos centrais da cultura (no mundo do livro, não há religiões abraâmicas). Um livro divertido, bem pensado e sexy (sim, sexy), que gostaria de ver sendo lido por muitos.

Botika
(escritor, músico e compositor, autor do livro Búfalo e do disco Picolé da Cabeça)

Esse ano eu li uma pá de livros de pessoas que gosto ou adoro ou amo. Entre aqueles que amo, digo amor-pessoa pré-literatura, estão os Pedros Rocha e Lago. Amo indefinidamente esses dois, amor que se dá de diferentes formas, assim como seus livros, naturalmente.

Rocha e Lago fizeram variados movimentos corajosos de uma só vez, de mãos atadas: com o apoio e tutoria carinhosa de Anna Dantes e sua Dantes Editora, além da parceria pagodiada com a Galeria Gentil Carioca, recheada dos amigos lá de dentro, lançaram o selo literário Lábia Gentil, que nasceu publicando os recentes livros de ambos os autores (Experiência do Calor, de Pedro Rocha / Cortejo, de Pedro Lago), e adiante seguirá cascateando a poesia das pessoas.

Os dois livros arremessam poemas para estraçalhar. Mesmo com diferentes cantos, buscas, saracoteios e sapatos, há um encontro dos rios, que é quando se conversa com os mortos (se é que alguém morreu…). Há, nos dois mergulhos, faca cerrada rasgando fôlego. Ao menos em mim, senti o abdômen sendo penetrado. E gostei. A dor me deu prazer, por que tudo ali dentro foi escrito na flor da pele, penteado com a escova do inevitável. Não bastando, Rocha tem Cabelo permeando suas páginas, enquanto Lago tem Luis Andrade e a filha Ava. Ainda mais, Rocha tem Vitor Paiva oferecendo os olhos, enquanto Lago tem os olhos de Daniel Castanheira.

Enfim, em 2014 os Pedros remixaram a pangéia.

Camila Von Holdefer 
(crítica literária e autora do Livros Abertos)

Um outro amor, de Karl Ove Knausgård – Segundo volume da série autobiográfica “Minha luta”. Se o primeiro (A morte do pai) é brutal, Um outro amor é simplesmente devastador. É o tipo de livro do qual, mais do que qualquer outro romance ou biografia, um comentário ligeiro não dá conta. O autor narra a própria trajetória, e no meio dela o próprio cotidiano, e isso é tudo e ao mesmo tempo não é tudo. Duvido que alguém continue a encarar a literatura — e, exagerando um tanto, a própria vida — da mesma forma depois de ser massacrado por Knausgård. E é um belo massacre, sem dúvida, mas ainda assim é um massacre. Não é preciso se armar. Você não tem como se preparar para o que vai ler. Boa sorte.

Middlesex, de Jeffrey Eugenides – Publicado originalmente em 2002, Middlesex ganhou duas edições no Brasil: uma pela Rocco, (tradução de Paulo Reis) e outra, lançada há poucas semanas, pela Companhia das Letras (tradução de Christian Schwartz). Se há um consenso em torno dos livros de Jeffrey Eugenides é o de que sua qualidade vem caindo ao longo dos anos. As virgens suicidas, seu trabalho de estreia, é o mais aclamado dos três. Middlesex, mesmo tendo levado o Pulitzer, foi alvo de alguns comentários ferinos. Já o último, A trama do casamento, recebeu uma crítica negativa atrás da outra. Bem, discordo da maioria, pelo menos em parte, e digo que meu favorito é mesmo Middlesex, lido justamente na edição mais recente. Quando um bom enredo em potencial (uma ideia luminosa, digamos) encontra uma boa execução, bem, o resultado é parecido com o que Eugenides entrega aqui. Middlesex me parece praticamente irretocável. O narrador é um sujeito de 41 anos, Cal, cuja identidade é sutilmente analisada ao longo do livro. Pseudo-hermafrodita, portador de genitália ambígua, Cal foi criado como menina até a adolescência. Descendente de gregos, ele resgata a história de sua família, os Stephanides, passa pelo período em que se chamou Calíope e chega ao desabrochar de sua (mais ou menos) nova persona. Eugenides constrói a história com sensibilidade, sem simplificar ou descambar para o melodrama — e, o que é mais bacana nesse contexto, desvia do verossímil com graça e leveza, coisa muito difícil de ser feita. Uma obra-prima, se querem saber minha opinião. Mesmo que muita gente não concorde com ela.

David Copperfield, de Charles Dickens – Um Charles Dickens para ninguém botar defeito. Charles Dickens sendo Charles Dickens. Charles Dickens em sua melhor forma. Um bocado de Charles Dickens, aliás, porque são mais de mil páginas. Já mencionei que David Copperfield é um genuíno Charles Dickens, da mesma forma que a gente diria que determinado quadro é um genuíno Rembrandt? Bem. Há algo de fascinante no livro, ainda que ele esteja repleto de exageros e melodramas e passagens mais ou menos repetitivas. Otto Maria Carpeaux estava certo quando disse que Dickens não é absolutamente um realista — é um sentimental. Não sei dizer por que David Copperfield me fisgou com tanta força. Narrativa linear, autobiográfica, sem malabarismos. Li pela primeira vez agora, consciente de que é destinado a um público mais jovem. Mesmo assim, Copperfield recebeu minha total atenção e (tenho uma certa vergonha de admitir) meu afeto. Li na edição bonita da Cosac Naify. Marcou, por um motivo ou outro.

Comecei a ler “Graça infinita”, calhamaço famoso de David Foster Wallace, que teria boas chances de entrar para a lista. Mas não vou roubar. Fico com esses três.

Carlos Schroeder 
(escritor, coordenador da e-coleção Formas breves e editor-executivo da Revista Pessoa, autor do livro de contos As certezas e as palavras)

Limonov, do Emmanuel Carrère – Maravilhoso como Carrère consegue biografar um personagem tão singular quanto Limonov (poeta punk, romancista, mendigo, mordomo de um bilionário e político russo) partindo de textos do próprio Limonov, mas com um olhar imparcial e traçando paralelos com sua própria vida. Uma ficção sobre a verdade ou uma verdade sobre a ficção? A única certeza é a do retrato desesperador da Rússia de ontem e de hoje.

A morte do pai, de Karl Ove Knausgard – Knausgard é um artista do cotidiano: capaz de fazer você se interessar pelas coisas mais banais. Uma narrativa sobre a grandiosidade que é existir, mas também sobre a arbitrariedade da vida.

Um homem burro morreu, do Rafael Sperling – Se me falassem sobre este livro de contos, antes de lê-lo, odiaria de antemão. Não tenho curtido nada muito surrealista não. Mas Sperling é bom, domina alguma coisa que eu ainda não sei o que é. Vai longe.

Carola Saavedra 
(escritora e tradutora, autora do romance O inventário das coisas ausentes)

Estrangeiro no labirinto, de Wellington de Melo foi um livro que me impressionou muito. Bastante complexo e muito bem construido, merece um olhar atento do leitor.

Daniel Pellizzari 
(escritor e tradutor, autor do romance Digam a Satã que o recado foi entendido)

Como em 2014 voltei a trabalhar em casa, perdi as horas diárias de leitura concedidas pelo transporte público. Mesmo assim consegui vencer alguns milhares de páginas, e dentre as minhas prediletas do ano está o segundo volume da Minha luta do Karl Ove Knausgaard, publicado aqui no Brasil como Um outro amor. Não tinha me animado tanto com o primeiro, que achei apenas ok com alguns trechos excelentes, mas fui completamente obliterado pela segunda parte: talvez por motivos narcísicos (como pai solteiro de um casal de pirralhos, qualquer coisa lide com paternidade me diz respeito e ai de quem retrucar), mas por outro lado o livro conseguiu até vencer minha resistência em relação a livros com personagens escritores/literatos/intelectuais (pelamor, quem quer saber da vida dessa gente).

É uma montanha-russa do início ao fim, praticamente uma subida de ladeira carregando uma vizinha russa alcoolista dentro de um carrinho de bebê, e com um bônus muito especial (ao menos para quem também é ficcionista e/ou se interessa pela manufatura da coisa): é muito, muito difícil enxergar os andaimes do texto. Cheguei a urrar em alguns momentos. Isso é bom, muito bom, cinco estrelas flamejantes pulsando sobre a geleira. Li também o terceiro, que sai no Brasil ano que vem e em inglês se chama Boyhood Island. Veredicto: as mesmas três estrelas do volume de abertura. Todavia rapaz, que personagem Knausgaard Pai.

Outros destaque foi Dept. of Speculation, de Jenny Offill, ainda sem tradução por aqui – curtinho, muito honesto e eficaz, abarcando todo um ciclo de amor e desamor com pitadas violentas de maternidade no meio (logo, tem fraldas sujas; logo, me diz respeito: estou escrevendo estes parágrafos ao som de imensa gritaria aguda e uma média de três interrupções por minuto). Mas enfim, boa surpresa.

E por fim uma releitura marcante, 40 stories, de David Barthelme, que acabo de traduzir para a Rocco. Quarenta contos com aquela(s) voz(es) que só o falecido conseguia arrancar do alfabeto. Quase todos são excelentes, menos os que não são: esses são maravilhosamente horríveis mas até nisso cumprem uma função (a saber, o contraste com os horrivelmente maravilhosos, que são maioria). Recomendo demais a quem não conhece esse fantasminha camarada do pós-modernismo americano, e para quem já se familiarizou com o miasma é uma chance de se reencontrar com ele via tradução, que admito ter ficado: bem boa.

Diego Moraes 
(poeta e escritor, autor do livro A solidão é um deus bêbado dando ré num trator)

Nominata Morfina, do Fabiano Calixto – Um dos livros de poesia mais foda da década. Parece ter sido escrito para poetas. Nomimata Morfina é a caligrafia dos delirantes. Um álbum de fotografias anarcolírico.

Tem um palhaço agressivo e um hooligan triste em algum lugar aqui dentro, do Bruno Bandido – Um livro para boxeadores. Bruno Bandido é um nocauteador nato. Não brinca em serviço quando o gênero é o conto. Sua escrita agressiva e cheia de solidões arrebatadoras. É de fazer marmanjo chorar no canto mais escuro do bar.

Gatos no cio não perdem perdão (Bar editora), do Kleber Félix – Kleber Felix é um resistente. Um doente mental que não desiste da literatura. Parece plantar situações humilhantes só para justificar sua loucura pela literatura. Acredito que este romance tem muito dele. Sempre caminhando por bares vendendo livros para pagar aluguel, sempre buscando se perder nos braços de uma mulher. Um livro rápido que você pode ler de uma porrada só num domingo de ressaca.

Eric Novello 
(escritor e roteirista, autor do Exorcismos, Amores e Uma Dose de Blues

A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison, de Enéias Tavares – Uma ficção retrofuturista passada na Porto Alegre Dos Amantes, o livro é contado a partir do ponto de vista de diferentes personagens que passam seus relatos a Isaías Caminha, jornalista responsável por cobrir a prisão de Dr. Antoine Louison, um vilão no estilo vitoriano de Jack, o Estripador. O Enéias é professor de literatura clássica e resgatou personagens de clássicos brasileiros como Bacamarte (de O Alienista) e Rita Baiana (de O Cortiço), brincando com o estilo dos autores para dar uma voz própria a esses personagens. O resultado ficou muito gostoso, divertido, retrofuturista não só na ambientação mas também na estrutura que criou, um olho no passado, outro no futuro, numa homenagem bem-humorada. Um ponto alto da nossa ficção especulativa e que deve ser o primeiro de uma série.

Flores Mortais, de Giulia Moon – A importância da Giulia na literatura fantástica brasileira equivale talvez a da Anne Rice na americana. A Giulia tem romances longos, novelas e, nesse livro, reuniu contos repaginados do início da carreira, todos trazendo protagonistas mulheres e vampiras. Os contos trazem, entre outras, vampiras clássicas do universo da autora como Maya e Kaori. Os vampiros da Giulia não tem nada a ver com o romantismo teen. Eles são cruéis, sedutores, old school no melhor sentido. E é impressionante ver o quanto a Giulia está confortável no meio deles, a facilidade dela de criar as atmosferas necessárias a esse tipo de literatura.  Uma frase, uma linha, já é suficiente para se armar o suspense, mudar de uma situação neutra para um clima de terror,  acrescentar a pegada erótica que emana desses predadores dentuços. Uma agilidade de contista que sempre me deixa admirado e que vale muito uma lida.

Quem Matou João Ninguém?, roteiro de Zé Wellington e Wagner Nogueira Arte de Wagner de Souza, Cloves Rodrigues, Ed SIlva, Alex Lei e Rob Lean – Publicada com apoio cultural do Governo do Estado do Ceará, é uma HQ para público adulto, passada em uma favela brasileira. O bacana é que em vez de usar a favela como elemento estético, os roteiristas souberam explorá-la como elemento narrativo pra contar a história do João do título. Um moleque de infância difícil, João se refugiava nos quadrinhos e no trabalho para aguentar o tranco do dia a dia. Quando adulto, logo após ter um amigo assassinado, acaba morto também e é convidado pela morte para desvendar os crimes que estão acontecendo na favela. Enquanto brincam com essa ideia de um super-herói investigador, os roteiristas souberam explorar as relações entre polícia e tráfico, refletir esse clima denso na personalidade dos próprios personagens e ainda aproveitaram para fazer uma crítica a esse arquétipo do justiceiro que pode ficar bem de capa preta, mas que não é nada agradável quando acontece no mundo real amarrando gente de carne e osso em poste.  Foi uma boa surpresa e tomara que saia com mais cores algum dia.

Felippe Cordeiro 
(editor-chefe do site Posfácio)

O Fundo do Céu, de Rodrigo Fresán – Um triângulo amoroso entre fãs de ficção especulativa (ou científica), O fundo do céu é uma bela homenagem ao gênero e aos grandes autores como Philip K. Dick e Arthur C. Clarke. Contudo, apesar de ser uma história de ficção científica, não seja a ser uma e por isso é tão incrível.

O Pintassilgo, de Donna Tart – Donna Tart nos apresenta a Theo Decker, e sua trajetória desde a perda da mãe, que desdobra em vários acontecimentos, incluindo o sumiço de um famoso quadro – o pintassilgo do título. Quem gosta de narrativas que prendem, mas sem serem de suspense, esse calhamaço de quase 800 páginas é uma boa pedida. O outro grande atrativo é Boris, o melhor amigo de Theo, com certeza um dos personagens favoritos desse ano.

Os Luminares, de Eleanor Catton – O interessante desse livro de Eleanor Catton são as despistadas para cima do leitor. Afinal, quem é o personagem principal desse livro comunal? Um personagem preenche a história do outro, cada acontecimento tem uma ponta solta a ser amarrada pelo próximo, que deixará outra solta e assim por diante. Com tantos personagens singulares, Catton ainda enfia na gente um mapa astral lunar, o que ajuda (ou distrai) quem acompanha essa história. Mas lembrem-se: cada um conta a história do seu ponto de vista.

Frederico Coelho
(é pesquisador e ensaísta, doutor em literatura pela PUC-Rio)

2014 foi um ano em que minhas leituras giraram basicamente ao redor do que venho fazendo em trabalhos e pesquisas. Li uma lista imensa de coisas na transversal, mas alguns livros ficaram flutuando durante bom tempo na mente, para além dos usos, digamos, práticos deles.

Uma das obras foi a reedição da Poesia Completa de Mário de Andrade (2 volumes), editada pela Nova Fronteira, com edição primorosa. Saiu ano passado, mas só caiu na minha mão esse ano. O livro mostra como é também poderosa a obra poética de Mário.

Outro livro que li esse ano foi a Gilles Deleuze & Félix Guatarri – Biografia Cruzada de François Dosse, sobre a relação entre Deleuze e Guattari. Ele foi publicado pela Artmed em 2010 e é um livraço para quem se interessa pelos autores e pelos bastidores de algumas das obras mais citadas e comentadas dos últimos trinta anos. Pensamento, vida privada, fofocas e uma aula sobre o campo intelectual francês do pós-guerra.

Mais um que coloco na lista é Literatura e Ética – Da forma para a força, de Diana Klinger. Parte da coleção Entrecríticas, da Rocco, o livro consegue atingir em cheio o que muitos escritores e pensadores estão buscando atualmente. Um pensamento formulado na complexidade literária da escrita, abrindo portas, se expondo e provocando o leitor a voltar para as velhas teorias e renovar suas formas de trabalhar com elas.

Por fim, dois livros de portuguesas que, de alguma forma, estão criando relações profundas com o nosso país. Falo de Vai, Brasil, de Alexandra Coelho, uma coletânea de crônicas publicadas em sua coluna vitual no jornal Público. E um livro-petardo de poemas: Jóquei, de Matilde Campilho. Ambos, publicados pela Tinta da China, que vem fazendo um belíssimo trabalho de ligação entre a literatura dos dois países.

Livrogram 
(Denise Schnyder e Livia Piccolo resenham livros no Instagram e no Youtube)

Indicação da Livia:

Iniciantes, de Raymond Carver – Um livro deslumbrante para descobrir esse grande contista norte-americano que é Raymond Carver. Admirador das narrativas curtas de Tchekhov e de sua humanidade ímpar, Carver constrói personagens aparentemente comuns e banais. Mas da banalidade o leitor é tragado para sensações indescritíveis. A leitura desse autor é uma verdadeira experiência. Sem nunca julgar ou diminuir o homem, Carver nos faz chorar e sentir uma profunda melancolia. Esta pequena jóia literária inspirou o filme Short Cuts, do diretor Robert Altman, um clássico do cinema independente americano. Um livro ao mesmo tempo avassalador e delicado. Um livro necessário.

Indicação da Denise:

A Morte do Pai, de Karl Öve Knausgard – A Morte do Pai, de Karl Ove, me deixou sem conseguir pensar um outro livro por dias! Nessa primeira obra de uma sequencia de livros sobre sua vida, o autor entrelaça de maneira inteligente cenas da infância ao lado do pai e de sua vida agora, para reconstruir com destreza um dos episódios mais marcantes dessa relação em uma obra autobiográfica excepcional. O autor detalha de tal forma suas lembranças que brinca com o real e o ficcional gerando uma experiência única para o leitor.

Ismael Caneppele 
(escritor, autor de Os famosos e os duendes da morte)

A Montanha Mágica, do Thoman Mann – Demorei para ter coragem de encarar a montanha. São quase mil páginas, o que exige fôlego. Mas uma vez no topo da montanha, não queria mais sair. A frase que mais me tocou nesse livro foi “o corpo doente está em festa”. Thomas Mann discute o tempo, o corpo, a doença e traça um panorama do homem contemporâneo.

Minha Luta – A Morte do Pai, do Karl Ove Knausgärd – O primeiro volume dessa série de seis volumes retrata o frio da adolescência. Assim como em meu livro Os famosos e os duendes da morte, a adolescência de Karl é fria e distante dos centros urbanos e alimentada pela música pop. A segunda parte, quando o pai está morto, de fato, é um tour de force sobre o passado no presente. O que fazer com nossos velhos? Como enterrar nossos mortos?

Biofobia, do Santiago Nazarian – Santiago volta com tudo naquilo que ele faz de melhor. Personagens solitários, nesse limite entre morte e vida. Entre a lucidez e a loucura. A natureza quando mete medo. Os personagens estão longe das cidades, mas o urbano pulsa no livro. O rock está lá. Vai virar filme, vai ser do caralho.

Juliana Frank 
(escritora, autora do romance Meu coração de pedra-pomes)

Este ano eu me mudei de cara e coroa para Argentina. Meu portuñol selvagem está a cada dia menos vergonhoso graças a algumas leituras que vou indicar aqui. No geral, descobri uma literatura engraçada sem ser histérica, uma sábia economia de palavras e este humor charmoso típico. Como El mundo ha vivido equivocado, de Roberto Fontarrosa, um livro que é um susto por página. A escolha de cada advérbio, cada adjetivo, o profundo cinismo do autor e o compromisso em não chatear jamais re-contando a mesmo lá lá iá foi uma boa surpresa. Pajaros en la boca, da Samanta Schweblin é um livraço, técnico, rigoroso mas com toda la fúria Portentosa. E claro, este que cortou a cabeça dos monstros Borgeanos: Felisberto Hernandez. Recomendo qualquer um ou todos. Este é o escritor definitivo aqui, apesar de ser Uruguaio. Depois desta literatura é impossível blasfemar o termo: “realismo fantástico” o que, vivendo na Capital Federal, descobri que não existe. Aqui a gente se acostuma com o absurdo até o ponto em que ele deixa de ser absurdo. Por fim, Memorias de una princesa rusa, o livro conta as aventuras sexuais de uma czarina arretada, Vávara Softa. Típica literatura erótica sem mais nem menos, bajo populacho (como eles reclamam). Apesar disso não faz mal a ninguém e rende umas risadas altas, principalmente quando ela queima seus amantes ou obriga seus escravos a treparem uns aos outros em seu lençol sucio.

Laerte 
(quadrinista e cartunista, autor do Manual do Minotauro)
Aqui estão 3 leituras que me marcaram em 2014:

Leonardo Villa-Forte 
(escritor, criador do Paginário e autor do livro de contos O Explicador)

Opisanie swiata, da Verônica Stigger – Acompanho o trabalho da Verônica faz algum tempo com muito interesse pelos procedimentos que ela usa em livros breves como Os anões e, principalmente, Delírio de damasco, os quais aproximam sua escrita do pensamento artístico. Foi com animação que soube da sua estreia em narrativa longa. Opisanie swita é história de uma viagem em alto mar. Na década de 1930, um pai na Polônia recebe a carta de um filho doente na Amazônia. O pai se lança então num navio a fim de ir conhecer o filho. A história corre por diversos registros: relatos na terceira pessoa, cartas na primeira pessoa, escrita de diário e imagens: imagens da Polônia, imagens de anúncios e comércios da década de 1930. Essa variação de vozes, deixando algumas em suspenso para que a narrativa continue por outras, é um grande trunfo do livro. Outro dos seus maiores feitos é fazer o leitor embarcar numa atmosfera cinematográfica sem que para isso utilize uma linguagem com cara de roteiro de cinema publicado em livro. As piscadas de olho para personagens históricos do modernismo brasileiro e o humor são pérolas. Gosto muito do fato de o grosso da história acontecer no navio, no oceano, ou seja, no entre, nem aqui nem ali, num largo momento de expectativa, durante o qual os personagens não têm nada a fazer senão viver, esperar e se conhecer. Estou sempre de olho no que Verônica vai tirar da cartola.

Jimmy Corrigan – o menino mais inteligente do mundo, do Chris Ware – Nossa, que livro triste. Triste todavida. Li esse romance gráfico nas férias de janeiro numa fazenda onde o sol rachava a terra e a piscina ficava lotada. Gostei tanto que emprestei para um primo assim que terminei. Ele me devolveu no dia seguinte: “não aguento, acho que se ler mais disso eu me suicido”. Os personagens de Chris Ware parecem presos numa imobilidade eterna. Você fica angustiado e quer dar um toque no Jimmy, no pai dele, na mãe dele, dizer para eles fazerem X ou Y, porque ali a resignação destrutiva é o teor de tudo. Passagens como “Ei, você tem outro filho?” “Você acha que você foi meu único erro na vida?” não incluem humor ou qualquer outro tipo de cumplicidade entre os personagens, nada suaviza o que de fato está sendo dito. Resta o susto e a frustração, guardados para si, e mais um peso nos ombros. Vários quadros em silêncio, grandes e significativos silêncios. Chris Ware é um desenhista corajoso, que explora vários recursos visuais que eu não saberia nomear. A história cobre três épocas diferentes, indo de Jimmy para seu avô e seu bisavô. Um tratado sobre falta de tato e de iniciativa.

Os malaquias, de Andrea del Fuego – Estou absorvido pela história dos irmãos Nico, Antônio e Julia, que ficam à deriva no mundo após a morte dos pais, esturricados por um raio que atinge a casa da família. Numa passagem memorável, é narrado como os corações dos pais, no momento do raio, faziam a sístole, enquanto os dos filhos faziam a diástole, neutralizando nestes a carga elétrica. Os malaquias é um livro com gosto e com cheiro, resultado, entre outros, de suas metáforas que se utilizam da vida animal. Nessa história passada numa cidade serrana do interior há a presença até de forças sobrenaturais, o que é extremamente raro na literatura contemporânea brasileira e traz grande frescor ao romance de Andrea del Fuego. Faltam cinquenta páginas para eu terminar o livro, portanto, vou roubar e indicar mais um:

O livro de praga, do Sérgio Sant’Anna – Mestre. Um homem faz sexo com uma estátua numa praça pública em Praga! Mestre.

Marcia Tiburi
(filósofa e escritora, autora de romances, ensaios e artigos

Os piores dias de minha vida foram todos, do Evandro Affonso Ferreira –  Esse livro é uma necessária meditação literária sobre a finitude, sobre a solidão, sobre a corporeidade, a cidade, a amizade. Livro complexo e mesmo assim, ainda que duro, algo suave. Quer dizer, generoso com a nossa miséria reflexiva atual. Evandro Affonso Ferreira é um dos maiores escritores da nossa época, certamente o mais desafiador em termos formais. Livro para quem não tem medo de ler.

Nossos Ossos, de Marcelino Freire –  É um romance curto, ou um conto longo. O livro funciona como uma porta que ao se abrir nos suga pra dentro. Nos suga pela história, uma história de um homem que vai enterrar outro, mas também pelo olhar. Lemos sempre de dentro, indo para dentro do personagem, de sua vida, aí a gente passar pela gente mesmo também. Dá um prazer, um medo, uma aflição necessária, uma angústia pedagógica. Eu fiquei triste porque li muito rápido. Devia ter economizado pra curtir mais.

Michel Foucault e a Verdade Cínica de Ernani Chaves  – Achei um trabalho magistral em termos de escavação da questão cínica em Foucault. Ernani Chaves vai a Foucault e além dele. É um primor em termos de pesquisa e de estilo didático-reflexivo. Para tempos cínicos, em que o cinismo não está bem explicado, acho que esse livro nos dá uma chance nova, inclusive a de redescobri-lo.

Marcelino Freire 
(escritor, organizador da Balada Literária e autor do romance Nossos Ossos)
Memória da Bananeira, de Isadora Krieger – A surpresa do final do ano foi este romance. Dessa autora que já vem agitando, discretamente, a cena literária aqui por São Paulo. Tem linguagem, ritmo. E é ousada. E sai da mesmice reinante. Aposto firme nela. Desde sempre.
Nossa Teresa – Vida e Morte de uma santa suicida, de Micheliny Verunschk – A estréia, no romance idem, da prestigiada poeta pernambucana. Eta danado! E um livro ousado. Na linguagem idem. E sobretudo na temática: uma adolescente que se mata e acaba operando milagres pelo sertão nordestino. Um pecado não ler.
Sem vista para o mar, de Carol Rodrigues – Essa ganhou um concurso promovido pelo coletivo (selo) do qual faço parte. E eu não fiz parte do júri. É um dos livros de contos mais lindos que já li. Valeu o prêmio. E vale a leitura. Na orelha, a escritora Ivana Arruda Leite já avisa: “tenho certeza de que você terminará a leitura deste livro aos pés da Carol Rodrigues, como ela diz (e eu concordo), mulher arrepia mais“. Haja arrepio. Ano das mulheres esse. Eta danado!

Michel Laub 
(escritor, colunista da Folha e autor do romance A Maçã Envenenada)
Num ano com vários livros bons de novos autores brasileiros (Antonio Xerxenesky, Simone Campos, Rafael Sperling, entre outros), destaco um de dois anos atrás, mas que só fui ler agora: O sonâmbulo Amador. Neste romance lento e estranho, no bom sentido, José Luiz Passos consegue o que qualquer ficcionista busca: criar uma linguagem tão particular que parece só existir na fala do narrador da história.

Michel Melamed 
(poeta, ator, apresentador, autor de Regurgitofagia e diretor do Seewatchlook)

Dois Irmãos, do Milton Hatoum – Estou relendo, estou reamando, estou remando.
Uma Temporada No Inferno, do Arthur Rimbaud – Dessa vez não morri de paixões pelo todo, mas um ou outro parágrafo atormentaram meus dias em chamas pra sempre.
Você Vai Voltar Pra Mim, do Bernardo Kucinski – Um tema que muito me toca me tocando muito.

Reginaldo Pujol Filho
(escritor, autor do livro Quero ser Reginaldo Pujol Filho)

Terra Avulsa, de Altair Martins – Acho que nesse livro o Altair chegou numa condensação maravilhosa de tudo o que já havia feito em conto e romance. E ainda assim é diferente de todos os livros dele. Mas a exploração radical da linguagem (narradores incríveis, poemas de um poeta inventado…), a invenção acima de qualquer coisa (duas histórias muito inusitadas) e um humor e uma melancolia que tu nunca sabe qual é qual estão todos lá. E, como se não bastasse tudo isso, Terra Avulsa é um baita convite para se pensar sobre Brasil, brasileiros, política e literatura, individualidade. Bah, o resumo é: baita romance.

O Livro dos Mandarins, de Ricardo Lísias – Só agora fui ler esse livro radical do Lísias. As reproduções, emulações e simulacros de linguagens e comportamentos do mundo do sistema financeiro são extremante divertidos – e sérios também. Vale a pena ler só pelo narrador do Lísias e os modos como ele consegue avançar via lugar-comum, frases feitas e outras exposições do ridículo. Mas ainda tem toda a estrutura do livro que vai se tornando pouco a pouco um caos muitíssimo bem desenhado e estruturado que aumentam o hilário de muitas situações e chegam aos limites do absurdo e do non sense. Mas não perdem nunca o contato com o mundo de que estão falando. É livraço.

Ricardo Domeneck 
(poeta, artista visual, editor da revista Modo de Usar e autor do livro Ciclo do amante substituível) 
Romance: I Love Dick, de Chris Kraus – Já sabia do livro há tempos. Amigos costumavam dizer que eu precisava ler o livro, que eu gostaria muito. Mas só este ano, após ler uma menção a ele num artigo, decidi adentrar o romance epistolar de Chris Kraus. Casou em minha cabeça com outro romance epistolar que amo, o Zoo, ou Cartas Não de Amor, do Viktor Shklovsky. Os brasileiros precisam parar com sua obsessão por machos de talento mediano como Jonathen Franzen e similares e começar a traduzir mulheres como Chris Kraus e Kathy Acker.
Poesia: Um teste de resistores, de Marília Garcia – Trata-se de um livro-problema, um livro-questão, um livro-pergunta. Foi uma leitura estimulante, encheu minha cabeça de reflexões sobre a poesia contemporânea. Marília Garcia faz um questionamento e uma meditação fortes sobre o andor da carruagem. Os poetas brasileiros precisam ler e meditar sobre este livro.
Ensaio: Ideia da prosa, de Giorgio Agamben – Tenho um prazer enorme com ensaios. Parece-me uma forma e um gênero realmente maravilhosos, quando bem feitos. Agamben em grande forma neste livro. Aproveito para agradecer novamente a William Zeytounlian por ter-me presenteado com ele.
Tatiana Salem Levy 
(escritora, autora de Paraíso

Sergio Y. Vai à América, de Alexandre Vidal Porto – Gostei muito da forma, natural e sóbria, com que o autor abordou o tema da sexualidade nesse romance. Sem dramatizar, mas sem deixar de aprofundar no drama, Alexandre fez um livro muito importante para a literatura brasileira contemporânea.

Formas de voltar para casa, de Alejandro Zambra – Ao tratar dos sombrios anos de Pinochet no Chile a partir da ótica de uma criança, ele consegue dar força e renovação a um tema bastante explorado, mas sempre importante. Zambra tem uma forma muito simples e contundente de tratar a questão da memória, partindo se um tema individual para a História.

Things I don’t want to know, de Deborah Levy – Em resposta ao ensaio “Por que escrevo”, de George Orwell, a autora conta sua infância na África do Sul do apartheid, as dores e dificuldades de se viver num país que separava o lugar do negro e o do branco. Nesses anos, ela viveu as coisas que não gostaria de saber, mas que acabaram sendo o motor de sua escrita.

Thiago Barbalho
(escritor e editor da Revista Rosa)

Natural: mente, do Vilém Flusser – Como a mente humana, essa máquina pesada, pode brotar no mesmo mundo que a manga, o pássaro e o mar? Nesse livro deslumbrante, Flusser direciona seu olhar a elementos naturais para descobrir como nosso contato com eles é e será sempre mediado por processos mentais como interpretação, história, vontade de saber e uma certa noção de mistério.

Elegias, do Hölderlin – Se existe aquele tal de deus que quer o nosso melhor e é piedoso conosco, foi ele que colocou Hölderlin no mundo e fez com que esse poeta compartilhasse suas palavras. Mas se não existe tal deus, então vamos brindar à capacidade inexplicável de ter havido um poeta-anjo como Hölderlin.

Tao-Te King, de Lao-Tzu – Essa coisa taoísta de não-fazer, não-ter, não-falar, dá um contrapeso muito importante ao nosso padrão de vida cheio de ressentimento e ansiedade. Lao-Tzu foi o meu ansiolítico natural nos momentos mais difíceis desse ano. Recomendo ler sem radicalismo, porque viver ainda requer o risco de agir.

Victor Heringer 
(escritor e poeta, autor de Glória)

Uns contos, de Ettore Bottini – Bottini é minha descoberta do ano. Neste mundúnculo literário lotado de tronos, elfos, androides, zumbis, vampiros, banquetes, poemas alegrões e estímulos gerais, ele teve a coragem de não querer seduzir o leitor, a estupenda bravura de ser anticlimático: “O universo era, afinal de contas, um lugar bastante banal”, como se lê em Uns contos. Ettore morreu quinze dias antes de ver publicado este livro, durante uma cirurgia simples de safena, no maior anticlímax da história brasliterária recente. Seu livro Mãe da rua (Cosac Naify, 2007) também é ótimo.

Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins, de Déborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro – Um ensaio para o tempo do fim dos tempos, o nosso. Todas as páginas do meu exemplar deste livro estão rabiscadas, anotadas, desenhadas, cheias de pontos de exclamação.

Pane, de Tazio Zambi – Este livro não é propriamente um livro, mas um conjunto de posts de Facebook que, juntos, formariam um ótimo livro de artista. O Tazio captou/capturou as imagens da TV Globo durante os jogos da Copa do Mundo de 2014 e as retrabalhou sob o estandarte da pane: inseriu ruídos, cortou, alterou cores. Deixou a randomia agir ao acaso. Quando o Neymar se machucou, a Pane estava capturando as imagens. Na pane dos 7 a 1, lá estava a Pane.

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Publicado em 10/12/2014 por em Gabriel Pardal.
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