ORNITORRINCO

LIFE: A OBRA DE DAVID ATTENBOROUGH

David Attenborough é uma joia da coroa inglesa e daqui de casa. E não é só pela voz que de ninar nos documentários da BBC e que me levam para o setor inteligente da TV. Attenborough é apresentador das séries Life e Earth e de todos os programas que tratam de História Natural na rede pública britânica, mas mais do que isso, ele revolucionou a observação do planeta para nós, seres humanos mortais.

No início era Darwin e Galápagos. Depois, a Enciclopédia Britânica. Agora faz tempo que é Attenborough. Mais precisamente 62 anos, como mostra o documentário “David Attenborough – 60 years in the wild”, dividido em 3 episódios.

O velhinho – hoje ele tem 88 anos – deu um presente para a humanidade ao democratizar o estudo da natureza. Com ele, pudemos observar plantas, animais, rituais de acasalamento, cadeias alimentares, a perfeição desse globo azul e o poder da vida como nunca. Obrigada, Attenborough.

Explorador, foi com uma equipe a missões nunca antes realizadas. E se no início de sua empreitada na TV, nos anos 50, ele usou técnicas artesanais de animação para mostrar o que ainda não havia sido mostrado na TV – a vida dos dinossauros, por exemplo –, Attenborough fez muito pela evolução técnica na filmagem de documentários sobre a natureza. Graças ao seu trabalho junto de cientistas, ele trouxe para o mundo do entretenimento o aparato científico que nos possibilita hoje acompanhar a vida em muitas de suas formas.

Câmeras de segurança, de laboratório, submarinas, térmicas, trilhos que se movem na mesma velocidade que o ciclo de uma planta durante o ano; microcâmeras quase que operadas por formigas; steadicam no helicóptero.  E aí, respeitável público, adentramos reinos de abelhas, comunidades de morcegos, o impacto da primavera nas flores; assistimos a manadas de cavalos atravessando rios, animais em êxodo, baleias gigantes atiçando nossos olhos e sonhos infantis.

Junto com ele, Attenborough foi agregando um exército de homens apaixonados. São cinegrafistas embasbacados pelo mundo natural – que a gente teima em tratar como se fosse outro mundo, mesmo existindo só esse – e que não deixaram apagar o espírito desbravador da criança. Eles se metem sozinhos em barracas no gelo, sob temperaturas indizíveis, para filmar uma espécie de leopardo da neve. Sem saber quando que ele vai aparecer.

Num dos episódios da série, em comemoração dos 60 anos de David no comando de tudo que há de mais bonito na BBC, um cinegrafista se filma, numa barraca, depois de semanas sem sorte à espera do bicho: “Se eu acho chato ficar aqui? É claro que eu acho”. Gargalhadas para as chatices que vêm junto com a pessoa amada.

Se Darwin está nas notas da libra – como gosta de me lembrar Estevão Casé –, Attenborough terá tido um papel fundamental, digno de likes, medalhas, camisetas, busto, nomes de avenidas e praças, na disseminação da teoria evolucionista do compatriota que revolucionou o mundo. E que alguns americanos gostam de rebater.

Madrugada, fim do programa, rodam os comerciais. A campanha “absolutely British” do canal reafirma aonde estamos. Na sequência, uma série sobre como vive a família que se isolou do mundo numa área remota da Nova Zelândia e agora depende da sua relação com a natureza para sobreviver. Só eles?

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Publicado em 18/11/2014 por em Clara Cavour.
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