ORNITORRINCO

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

Eurico Miranda voltou! Sua chapa venceu as eleições no Clube de Regatas Vasco da Gama e em breve deve elegê-lo presidente para substituir Roberto Dinamite num mandato de três anos. Parece uma espécie de máquina do tempo, de volta à primeira década do século XXI quando a Colina famosa era comandada pelo mafioso do charuto malvado. 
Eurico é uma figura folclórica do futebol, um desses ícones da anomalia que é a cartolagem no Brasil, não importa de que time ou divisão você esteja falando. O mafioso cruz-maltino via o jogo fumando um charutão sinistro do alto do seu camarote em São Januário, invadia o campo, brigava com geral. Mandou o então governador Garotinho calar a boca quando o alambrado de São Januário caiu quase matando todo mundo na final do campeonato brasileiro de 2000. Disse que no Estado mandava o governador, mas em São Janú mandava ele. Roubou a renda de um jogo, saindo do estádio com o dinheiro vivo numa maleta, para ser assaltado a poucos metros dali por pessoas que não conseguiu identificar. Mas quando ele era presidente o Vasco não estava essa draga! Ou seja, Eurico é uma espécie de Maluf do futebol: o famoso rouba, mas faz. É isso que os vascaínos querem? É isso que queremos todos? 
Tenho grandes amigos, vascaínos iluminados e inteligentes, que defendem a volta do Eurico. Do desespero de um torcedor sedento por títulos pode-se esperar tudo. Ainda mais com o arsenal de histórias fantásticas de insubordinação contra o Estado e contra grandes corporações que o Eurico carrega. A mais famosa é a sequência da história do governador, quando o jogo da final de 2000 foi finalmente cancelado por falta de segurança e transferido para o Maracanã em janeiro do ano seguinte. Eurico botou o cancelamento da partida na conta da Globo, principalmente do comentarista José Roberto Wright, que insistia que era impossível o jogo prosseguir. Globo e Eurico foram rivais a vida toda, mas ele deu uma estocada na emissora que ela nunca conseguiu responder. No Maracanã, no jogo remarcado, o Vasco entrou em campo com um logo enorme do SBT estampado na camisa. Assim, de surpresa, sem contar nada pra ninguém. Foi realmente cômico ver o Galvão Bueno pasmo, sem conseguir tecer nenhum comentário sobre a cena. Calar o Galvão é mesmo um feito, mas não é por isso que eu tenho que gostar da volta do Eurico, um sujeito que deixou endividado até o prédio do qual foi síndico.
O jornalista americano Franklin Foer escreveu um livrinho chamado Como o futebol explica o mundo. O livro conta com muitos artigos interessantes sobre futebol, globalização e política ao redor do mundo. O caso brasileiro descrito por Foer é justamente a administração Eurico Miranda no Vasco. O texto começa com uma emocionante descrição da São Januário mítica e se afunda nos desmandos do mafioso Dr. Eurico. Pra quem quer conhecer o que é essa figura nefasta e folclórica do futebol brasileiro vale a leitura. Vale também ficar de olho no noticiário, não tenho dúvida que vem mais bala de calibre gigante disparada dos altos camarotes da Colina.


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Publicado em 13/11/2014 por em Domingos Guimaraens.
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