ORNITORRINCO

O QUE ACONTECE ASSIM QUE NASCEMOS?

Li essa pergunta em uma daquelas matérias descompromissadas da internet. A matéria em si não tinha nada a dizer. Uma pena. Mas a pergunta me pareceu boa ao ponto de me fazer refletir sobre ela. De início, me ocorreu que ao nascermos passamos a ser moldados para viver uma vida “padrão” em sociedade. Para que nada fuja ao controle, somos educados, doutrinados, reprimidos e limitados a uma série de conceitos e pré-conceitos reforçados por todos a nossa volta. A intenção é fazer com que nos tornemos um indivíduo socialmente aceito na vida coletiva. O preço disso  vejam só  é seguir vivendo os padrões pré-estabelecidos sem, contudo, dar margens aos questionamentos sobre a vida que se leva. É àquela história: “Não pense. Apenas faça. É mais fácil assim”.

Mas independente do contexto brutal em que nascemos, individualmente somos capazes de produzir desejos, objetivos e vontades próprias. Essa capacidade de ser uma espécie de “senhor de si” nos inspira certos graus de audácia, ao menos, no que se refere a nossa vontade de transcender a vida padrão que nos imputam desde cedo. A audácia que se manifesta em nós quer sobrepor o incomodo da vida que nos oferecem. E é desse incomodo cutucado pela audácia que acionamos a nossa coragem em busca de caminhos alternativos para a vida.

É muito triste sobreviver a uma vida que não é nossa de verdade. Quantos não vivem se guiando pelo o que lhe dizem ser o certo a fazer sem, contudo, dar margem para a vida que gostariam para si?! Essas pessoas suportam a vida que levam como um destino incontestável. As razões são variadas e, de certo, é um fardo difícil suportar uma vida desse tipo. Em quem nessa condição vive se prolifera uma espécie de abandono constante. No caso, o abandono interno de suas vontades e desejos próprios. Vive-se estados de atenção e medo, pois a vida pré-estabelecida transparece ser absolutamente imbatível.

Para que nada disso aconteça, ao nascermos deveriam nos ensinar que não há receitas para se viver uma vida. Ao contrário, poderiam nos incentivar a fazer de nossa história a constante aproximação de uma vida com pessoalidade. Isto é, uma vida que nos soe significativa e dialogue com as nossas convicções. Deveriam nos preparar para sermos protagonistas de nossas vidas e não meros figurantes que amargam suas angústias em uma tipo de vidacondenação. Deveriam mesmo nos ensinar  assim que nascemos  que as pessoas precisam ser, sobretudo, intensas.

A intensidade existirá ganhando ou perdendo. Sendo criança ou adulto. Sorrindo ou chorando. O fato é que com intensidade dilatamos a nossa visão sobre a vida e sobre o mundo que nos cerca. É com a intensidade de nosso olhar que abandonaremos – sem hesitar  as receitas pré-estabelecidas da “vida padrão” que nos impõem. É assim que passaremos a priorizar a construção de uma história que não segue receitas ou modos de preparo em seu enredo. Quem com intensidade vive, representa para muitos uma faísca de coragem. Coragem para ao invés de procurar saber o que acontece assim que nascemos, apenas vive de um modo pessoal a sua intensidade.

André Silva é doutorando em Administração de Empresas pela FGV/EAESP.

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Publicado em 01/09/2014 por em André Silva.
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