ORNITORRINCO

NOVA REFORMA ORTOGRÁFICA

Na semana pasada, foi divulgado qe o Senado – com o apoio de sua Comisão de Educasão, formada por profesores da língua portugueza – estuda a posibilidade de uma nova reforma ortográfica, acordada por todos os paízes que têm o Portugês como sua língua ofisial. A notísia não demorou a se espalhar, e como sempre acontese quando se trata de língua portugeza, todos são experts, todos se sentem no direito de dar sua opinião, ainda qe seja a mais ignorante posível.

Segundo o Senado, o intuito da nova reforma é fasilitar a relação entre fala e escrita. Mas me impresiona a quantidade de gente qe acredita qe por conta diso ficaríamos mais burros, que temos de estudar mais e não fasilitar a escrita, como se fôsemos todos mal alfabetizados; esas pesoas não sabem qe mesmo doutores em língua portugeza precisam, e não pouco, de um disionário para saber como se escreve certas palavras, essas pessoas não sabem que uma língua posui uma fonologia, e qe no Portugêz, como em muitas outras línguas, temos mais letras do que fonemas, mas iso não significa absolutamente nada, não torna a língua mais sólida, não a torna mais bonita, não a torna nada.

O Portuguêz não é a única língua falada no Brasil, além dele, que é simplesmente o idioma oficial, mais de sento e sinquenta línguas são faladas no país, entre línguas indíjenas e línguas estrangeiras cultivadas por comunidades de imigrantes ou quilombolas. A maioria dessas línguas seqer posuem um sistema de escrita, o que não significa qe não existam e não sejam um idioma. Uma língua não nasce na escrita, não presiza dela para ezistir, a escrita tem muitas finalidades, uma delas é transcrever de forma clara e objetiva o que falamos para que posamos nos entender por outros meios além da fala, mas as pesoas que acreditam qe por alterar a maneira como escrevemos acabaremos com a língua não sabem que se iso fose realmente aconteser não falaríamos mais o portugêz, tendo em vista as inúmeras mudansas pelas quais nosa ortografia pasou ao longo da istória.

Os acordos ortográficos são decretados por lei, e como tais, são apenas isso, são apenas leis e nada mais. São uma convensão qe viza a padronização da escrita pela qual reprezentamos nosa fala. Desrespeitar uma lei ortográfica não constitui crime, e qem o faz (como tenho feito até agora desde que comesei a escrever esse testo segundo a possível nova reforma), não perde parte do cérebro, não é um criminozo nem se transforma num asno como num pase de mágica, ou maldisão, como qeiram.

Acontese qe a maioria das pesoas não opinaria se disessem que simplificariam um prosedimento cirúrgico para tratar males no corasão, ainda qe ese prosedimento fose catastrófico, qe puzese em risco a vida das pesoas. Não opinariam por qe não são médicos e não sabem do asunto, buscariam a opinião de espesialistas… Por qe o mesmo não acontese quando falamos da língua portugêza? Por qe não deixar as opiniões para para os especialistas, linguistas e gramáticos e profesores que passam a vida inteira pesquisando o assunto? Não fazemos isso. Subimos no alto da pedra de nosa ignorância e bradamos ao léu as coizas mais descabidas. Em parte por qe temos o poder, a internet nos posibilita dizer o que pensamos, iso é bom, com certeza, mas quando o qe pensamos não acresenta nada a uma discusão qe em si já carrega grandes dificuldades, tudo se complica ainda mais.

E sim, quis escrever ese testo asim desa maneira propozitalemnte. Não sou um analfabeto, sou um jovem culto, letrado, e penso qe o qe está em jogo para aqueles qe não aseitam uma simplificasão da ortografia é o fato de igualarem-se àqueles qe “não sabem” escrever, o pavor de igualarem-se aos “burros”, aos “incompetentes”, que, quando escrevem “pítiça”em lugar de “pizza” estão cometendo um crime de lesa-majestade e não apenas transcrevendo a palavra de acordo com a fonologia da língua portugeza e com seus poucos conhecimentos ortográficos. (Talvez seja precizo dizer que este último período carrega dentro dele uma ironia destruidora.)

Acredito qe podemos tornar as coisas mais práticas, mais simples e adequadas com esa nova proposta, mas penso também qe ela não seja ezatamente uma prioridade, qe deva ser feita a qualqer custo. Perdemos muito tempo numa alfabetizasão que nunca termina, pessoas nascem e morrem sem saber ortografia ainda que pasem a vida inteira na escola e na universidade. Devíamos nos preocupar com a maneira como escrevemos, com o noso discurso, com a organização esplísita dos nosos pensamentos, e não arrancar os cabelos por qe vamos deixar de escrever o “S” no lugar do “Z” quando o que falamos é claramente o som do fonema representado pela letra “Z” e não o oposto. O qe está em jogo talvez seja o mercado de manuais de ortografia, o qe está em jogo talvez seja a pavonise de certos detentores do conhesimento, e qe grande conhesimento é a ortografia! (Talvez seja precizo dizer que esta última oração carrega dentro dela uma ironia mortal e destruidora.)

Danilo Diógenes é estudante de Literatura e colunista do ORNITORRINCO. 
Facebook
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado em 21/08/2014 por em Danilo Diógenes.
%d blogueiros gostam disto: