ORNITORRINCO

O SILÊNCIO COMO EXPRESSÃO HUMANA

O silêncio é a mais eloquente forma de expressão humana. Frequentemente existe mais informação sendo expressada em um silêncio do que em uma fala. Falas possuem subterfúgios, contornos e adornos, o silêncio é sincero.

Ok, muitas vezes não somos capazes de interpretar um silêncio corretamente, mas isso é defeito de recepção, também é resultado de nossa mania de querer entender as coisas detalhadamente, como se por trás do silêncio houvessem descrições intermináveis, mas não, o silêncio possui sua expressão própria.

Existem silêncios com vários gostos:

Existe o silêncio de pesar, quando tentamos ser empáticos e dividir o sentimento de alguém por um momento, mas sabemos que não podemos preencher aquele espaço com palavras.

Existe o silêncio de saudades, quando não nos comunicamos com alguém há anos e não podemos voltar a falar (seja por impossibilidades práticas, seja porque simplesmente a vida segue adiante e as pessoas não são mais as mesmas).

Existe o silêncio de amor, de novo quando as palavras não são mais úteis e tudo se transforma em um toque ou olhar.

Existe o silêncio de fofoca, quando duas pessoas se conhecem tão bem que com um olhar conseguem transmitir algum comentário óbvio no contexto entre essas pessoas.

Existe o silêncio irônico, que sucede uma fala e interrompe inesperadamente uma conversa, forçando o interlocutor a repensar o que foi dito e compreender um segundo nível de significado.

Existe o silêncio da omissão, quando a informação mais importante numa frase é a que deixa de ser dita.

Existe o silêncio de mágoa, quando não estamos dispostos a dar uma nova chance a alguém.

Existe o silêncio de meditação, quando tentamos limpar nossa mente do fluxo de pensamentos cotidianos e nos organizar.

Existe o silêncio de expectativa, quando algo pode acontecer a qualquer momento.

Existe o silêncio de pensamento, quando precisamos entender alguma coisa (isso ocorre muito em matemática, e este silêncio tem um pouquinho do gosto do silêncio de expectativa e também do silêncio da fofoca!)

Existe o silêncio da gula, quando todo mundo para de conversar para comer! 🙂

Existe o silêncio do afastamento, quando tentamos evitar alguém e fingimos não ouvir.

Existe o silêncio das duas da manhã, quando não dormimos (este silêncio pode ter muitos gostos).


Fabrício Caluza Machado é matemático e mestrando em Ciência da Computação na USP.

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Publicado em 14/08/2014 por em Fabrício Caluza Machado.
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