ORNITORRINCO

PERGUNTAS E RESPOSTAS #01

Na semana passada fui ao lançamento dos novos livros do Marcelino Freire e do Santiago Nazarian aqui no Rio de Janeiro (sim estou de volta ao Rio, depois da moradia em Nova York narrada nos textos anteriores), encontrei amigos que não via há tempos e conversamos e bebemos e estoramos balões. Fazia tempo que não encontrava com Marcelino, um dos escritores que mais admiro e fico feliz que esteja vivo e saudável e escrevendo com toda força que pode. Também encontrei algumas outras pessoas que não conhecia e como sempre, atravessar a noite comentando novos livros, a produção cultural do país, e onde tudo isso intercepta nossos trabalhos. Conversa vai e vem, me vi tendo que responder algumas perguntas sobre o ORNITORRINCO que vira e mexe costumam me fazer, tanto em eventos como esse quanto aqui na internet. Pois então decidi juntar as questões mais frequentes e tentar respondê-las de uma vez.

É mais que determinante saber que lá no início de tudo, na criação do ORNIT, nós não sabíamos direito o que estávamos fazendo. Tínhamos alguns planos, algumas ideias, umas referências, mas sobretudo a vontade de escrever. Com o passar do tempo e com a prática do exercício fomos encontrando um sentido, entendendo melhor o que estava sendo construído. De lá pra cá o projeto foi atravessando diferentes formatos, crescendo por conta própria, tomando forma à medida que continuávamos lhe alimentando. O ORNITORRINCO é uma criatura viva, sem dúvidas. Hoje alimentada por mais de 70 autores, entre colunistas fixos e colaboradores, a intenção continua a mesma: criar um espaço para a exposição de ideias.

Essas respostas podem servir não apenas para os que perguntam mas também para organizar dentro da minha cabeça o funcionamento de tudo.

– Como começou? Quem teve a ideia?

Pelas minhas contas (e eu não sou bom de matemática) fazem mais de três anos que estamos fazendo o ORNITORRINCO direto sem tirar de dentro. Tivemos algumas pausas para reformulação mas mesmo nesses hiatos não deixamos de nos falar e de pensar no projeto. Voltando a fita nesses três anos, pelo que consigo me lembrar (e eu sou bom de memória), posso dizer que o ORNITORRINCO é fruto, filho, consequência e motivo da minha necessidade em ler e acompanhar o desenvolvimento da humanidade através de reflexões desenvolvidas em texto. Tive essa ideia de juntar amigos que eu sabia que escreviam, porém estavam escrevendo pouco e eu queria que eles escrevessem mais, não só porque queria lê-los, mas porque queria dar esse estímulo à capacidade que eles tem de observar a vida e organizar uns parágrafos ao seu respeito.

– Todos os colunistas se conhecem? Como vocês se conheceram?

No início de tudo nem todos se conheciam, provavelmente sabiam um do outro, mas não costumavam sair juntos. Eu conhecia todo mundo, alguns mais que outros, mas principalmente conhecia seus textos e confiava na capacidade deles de enxergarem os acontecimentos do mundo.

Todos são escritores, mas não apenas, pois não se restringem à um desejo artístico. Domingos Guimaraens é artista plástico e poeta. Franco Fanti é roteirista. Gabriel Camões é jornalista e ator. Júlio Reis é jornalista e analista político. Keli Freitas é atriz e dramaturga. Letícia Novaes é atriz, cantora e compositora. Maria Rezende é poeta e montadora. Vitor Paiva é poeta, compositor e jornalista. E entre, por cima, por baixo, pelos lados, todos somos escritores.

Esse grupo heterogêno é pra mim a graça do jogo. Está no conceito do projeto a criação de um espaço que entende a mistura de referências como o ideal libertário pra vida. Não consigo me nomear apenas escritor, ou editor, ou ator, ou etc, todas as coisas são as mesmas coisas porque partem de mim, sou o canal transmissor, de modo que, quem escreve é o ator, é o diretor, o cantor, artista plástico…. A ideia é justamente essa, agrupar pessoas com visões distintas que trabalham com diferentes linguagens e que têm como desejo íntimo a necessidade de se expressar em linguagem.

– Todo mundo mora no Rio de Janeiro?
Atualmente Júlio Reis e Gabriel Camões moram em Salvador, os outros moram no Rio. Eu tenho vontade de expandir mais. Os colaboradores são muitos e sei que publicamos autores da Bahia, do Espírito Santo, do Rio Grande do Sul, de São Paulo, de outros lugares. A colcha de escritores é imensa porque estamos abertos para quem quiser publicar. Então sim, o grupo foi originado no Rio de Janeiro mas está espalhado por aí.

– Vocês têm um escritório ou um espaço de co-working? É possível visitar o lugar onde vocês trabalham?
Como disse uma vez o Domingos Guimaraens, “o escritório do ORNITORRINCO é o mundo!”. Não temos um espaço físico definido. Geralmente cada um escreve em casa, mas algumas vezes trabalhamos em conjunto em livrarias, cafés, restaurantes, nas casas uns dos outros.

Uma coisa que percebemos dentro do coletivo é que é mais “fácil” escrever em conjunto com outras pessoas do que escrever sozinho. Estamos há três anos vivenciando esse exercício de acordar e ficar neste estado de prontidão onde tudo pode conter uma ideia para um texto. Acaba que mesmo quando escrevemos separados, temos a sensação de que estamos juntos.

Além disso, costumamos nos encontrar com frequência porque acima de tudo somos amigos. Estamos praticamente toda semana bebendo e papeando na Rua Sorocaba em Botafogo, no Alfa Bar ou na Comuna. Costumávamos fazer o “Alfa da Segunda”, reunião de toda segunda-feira à noite no Alfa Bar, onde rolava umas cervejas e discussões dos assuntos da semana. Faz um tempo que não fazemos nossa reunião no Alfa e agora complicou já que o bar foi interdidato pela prefeitura por falta de higiene. A gente sabia.

Quando não são feitos esses encontros, as discussões de trabalho ocorrem online, tanto na lista de e-mail como no grupo privado do Facebook, onde trocamos textos, sugestões de pautas e tudo o que acontece de normal num escritório de redação.

– Por que não publicam ficção ou poesia?
Apesar de deixar bem claro que não publicamos nem poesia nem textos de ficção, continuamos recebendo esse material toda semana. A escolha pelo gênero da não-ficção foi proposital. Primeiramente, acho que o computador não é um lugar propício para se ler ficção. Acho que há uma significativa diferença no envolvimento necessário entre se ler um conto e uma crônica, sendo este último mais adequado à atenção que usamos para navegar na rede.

Recebemos muita poesia também, mas é difícil avaliar a qualidade de cada poema já que gosto poético é muito particular, vai de pessoa pra pessoa e não é do nosso interesse aqui publicar apenas material que serve ao nosso gosto.

No ORNITORRINCO publicamos artigos, ensaios, crônicas, pensamentos, enfim, reflexões sobre a vida contemporânea, através de um ponto de vista pessoal – a do próprio autor.

– Como faço para me tornar um colunista fixo?

É fácil. Um depósito de R$15.000,00 na conta corrente do editor e você automaticamente estará registrado como colunista. Ou, se preferir, teste do sofá na Rua Sorocaba 341 de meio dia à meia noite. Ou se nenhuma das anteriores lhe couber, basta escrever e escrever que quando abrirmos vagas o seu nome poderá estar entre os candidatos.

Este formato agora foi formatado para que não haja diferenças entre um colunista fixo e um colaborador. Atualmente temos 9 colunistas (contando com este editor que vos escreve), que são os amigos que fundaram o projeto. Além destes, o site é composto por aproximadamente 70 autores. O ORNITORRINCO é uma plataforma aberta de publicação onde qualquer pessoa pode enviar um texto, ele será examinado nos quesitos gênero e conteúdo e se for aceito entrará na fila de publicação. Óbvio que quanto mais material enviar e de qualidade que faça sentido para a evolução do coletivo, mais chances terá de uma possível convocação. Mas isso é um grande mistério e ainda estamos sem previsão de quando iremos convidar mais um colunista.

Gabriel Pardal é editor do ORNITORRINCO.
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Informação

Publicado em 23/05/2014 por em Gabriel Pardal.
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