ORNITORRINCO

MEIA CHANCE DE ACONTECER

Escrevo em nome de todos os poemas de amor nunca recitados. Escrevo em nome dos discos jogados no fundo do armário e esquecidos entregues ao tempo. Escrevo em nome das declarações de apaixonados nunca feitas e dos beijos nunca compartilhados. Em nome das músicas cantaroladas e assobiadas em momentos de felicidade extrema. Escrevo em nome das pessoas que nunca se verão de novo e dos que sequer tiveram a chance de se despedir. Escrevo em nome dos amores perfeitos nunca concretizados. Escrevo em nome das chances perdidas por mim, por você e por todos os outros românticos desse planeta.

No Brasil, embora tenhamos uma expectativa de vida de aproximadamente 70 anos, posso dizer – apesar dos meus 16 –, que é curta demais pra se desperdiçar chances que podem ser únicas. Chances de se fazer coisas muito ou pouco importantes. Boas ações, ações egoístas, todas as chances são únicas e, por mais que não seja bem sucedido na empreitada, tem de ter em mente que fez o seu melhor para sê-lo.

Medo, insegurança, ou a ideia ilusória de que você pode deixar pra fazer outro dia estão entre as maiores causas de um mal que afeta a grande maioria, se não toda a população mundial, conhecido como Vida Mal Vivida. A causa mais comum é a ideia de que sempre se terá a chance de fazer algo, e quando menos esperamos, puff! O contato com o provável amor da sua vida se esvaiu, a pessoa sequer está do seu lado e você mal consegue se lembrar de seu rosto.

Medo, insegurança, ou a ideia ilusória de que você 
pode deixar pra fazer outro dia estão entre as maiores 
causas de um mal que afeta a grande maioria, se não toda 
a população mundial, conhecido como Vida Mal Vivida.

Embora a expectativa por muitas vezes seja a culpada pelas decepções, foi essa expectativa que te fez tentar, que te fez arriscar. Costumo dizer que em todas as coisas, existem 50% de chance de acontecer e a outra metade de não acontecer. Bem, a expectativa faz esses 50% positivos serem possíveis. Não usamos o futuro para fugir do presente. Usamos o futuro para ir em direção a ele próprio.

E eu juro que não entendo isso de querer prever as coisas. Porque pra mim a vida é como jogar detetive: você sabe que alguém morre no fim, mas se vai ser com a chave inglesa no escritório ou com a corda na biblioteca, o legal é ir descobrindo aos poucos, jogada a jogada. Explorando todo o tabuleiro.

A vida não é curta, de verdade, temos como errar e corrigir as coisas muitas vezes ao longo dela, mas as chances não, não são tão ofertadas quanto a vida e é praticamente impossível que tenhamos mais de uma chance de fazer algo. Portanto, deixe os teus medos e receios de lado e aproveita essa que pode ser a última chance de ser feliz. Não se esquecendo nunca de, parafraseando um poeta do qual o nome não me lembro, “você é o único representante do seu sonho aqui”.

Hugo Daflon é estudante de jornalismo e músico.

* Foto do topo: David Brandon Geeting

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Informação

Publicado em 13/11/2013 por em Hugo Daflon.
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