ORNITORRINCO

ROMANCE IDEAL

Definitivamente nasci no século errado. Sou um romântico numa época em que os romances sequer são acreditados, praticamente uma figura mítica. Estamos em tempos de poucos amores, onde a sociedade que idealiza mártires e quer sempre, mais que tudo, sofrer, ser enganado, na mão sádicos sem amor. Onde está minha máquina do tempo?

E isso me leva a conclusão de que a sociedade, em termos amorosos, sempre está a procura daquilo que não é o adequado, daquilo que podemos chamar de errado.

Século IX. Alta Idade Média. Toda moçoila, sem exceção alguma sonhava casar-se com o cavaleiro mais nobre e gentil, o de melhor coração. Algumas sortudas o faziam. Mas por baixo dessa faixada digna de livro dos irmãos Grimm, toda moçoila queria mesmo um camponês, plebeu e sujo, que tivesse apenas as roupas do corpo e um longo dia de trabalho pela frente. Os errados.

Sou um romântico numa época em que os romances sequer 
são acreditados, praticamente uma figura mítica. Estamos em
tempos de poucos amores, onde a sociedade que idealiza 
mártires e quer sempre, mais que tudo, sofrer, 
ser enganado, na mão sádicos sem amor. 

Século XII. Baixa Idade Média. Surgem os trovadores, os primeiros românticos, a recitarem suas poesias à donzelas a fim de conquistar, usando de belas palavras, o coração dessas belas moças. E até o conseguiam, em certos casos, porém, numa época de casamentos arranjados, oriundos de alianças políticas ou negociações, esses românticos, detentores do amor dessas moças, se tornam os errados.

Século XVIII. Revolução Industrial. O amor começa a ser expresso em formas literárias mais complexas, surge o Romantismo e o amor passa a ser associado a uma paixão incontrolável, submissão total, uma imagem perfeita d’aquela que se ama e é claro, na maioria das vezes, de forma adúltera, e portanto, errada.

Século XXI. Era Moderna. Em um surto de loucura generalizada, o amante desejado pelas mulheres não é o Romântico do século XVIII, nem mesmo o poeta do século XII. O amante estimado é um babaca, que a trata mal e faz com que ela, de alguma forma, por odiá-lo, acabe amando-o.

Definitivamente não sou desse tempo. Definitivamente deveria ter nascido na época dos Românticos, me contentaria até com a dos Trovadores, mas não sei ser um babaca do século XXI.

Românticos são de tempos passados.

Hugo Daflon é estudante de jornalismo e músico.

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Publicado em 29/10/2013 por em Hugo Daflon.
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