ORNITORRINCO

POESIA TECIDA SEMPRE EM PROCESSO

POESIA TECIDA SEMPRE EM PROCESSO é um filme homenagem amálgama folhas de relva que cresceu e continua crescendo. É um filme que nunca termina, assim como toda essa angústia que faz movimentar tudo que se tem feito nesse imenso espaço sem fim. Há lugar para todos. Todos os filmes desta série são o mesmo filme. A mesma narrativa, a explosão, falando das mesmas coisas, das mais variadas formas nessa vida onde se faz tudo, seja no Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Londres, Espírito Santo. Este filme é uma homenagem aos tecelões da geração tecida da poesia do sempre agora. Este filme tenta em vão apreender todos que caminham e pulam e gritam e choram e gozam e riem e babam no asfalto quente e enfumaçado da cidade onde a única saída possível é fazer tudo possível dentro do impossível.

A Geração Tecida é o não-enquadramento formalista. É saber-se múltiplo diante da realidade angustiante que se desdobra a cada instante. É tentar entrar no limite do limite da instantaneidade do instante e nunca parar. Não há fim. Só há meio e troca.

Fazer muitas coisas ao mesmo tempo nunca foi novidade. Blake, Maiakovski, Mishima, Mautner, Pasolini, Ericson e muitos que se viram no lugar onde tudo faz sentido.Todos aqueles que saltaram para além dos muros do imenso labirinto e viram a imensidão se descortinando.Tudo é linguagem. Há sempre novas formas de dizer as mesmas coisas, outras coisas, qualquer coisa. O presente é a interseção do diálogo com a tradição e a constante busca pelo novo. É olhar o futuro para dar sentido ao presente e viver o presente para dar sentido ao futuro. É inventar histórias, caminhos, mundos. Jogar-se à grande angústia de explodir as próprias vísceras em praça pública.

POESIA TECIDA SEMPRE EM PROCESSO é o desejo, a mania, o grito que alinhava os fios. É o que nunca será satisfatório, nunca dirá tudo, mas, realizar, seja lá o que for, é tão fundamental quanto respirar. É o próprio ar, comida, gozo, fezes, saliva, excremento, sangue, lágrima. É o eterno retorno.

Todos que participaram deste filme são tecelões desse grande movimento. Os nós não se desatam facilmente, e o tecelão segue, sempre seguirá. Palavras do Pires, do Ericson tecelão fundamental que fez e faz a ciranda girar até virar hélice.

Pedro Lago é poeta.

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Publicado em 17/10/2013 por em Pedro Lago.
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