ORNITORRINCO

A MASTURBAÇÃO SALVOU MEU CASAMENTO

Depois de 19 anos juntos, ele acordou numa manhã, olhou ela nos olhos e falou: eu quero me separar de você. Ela não entendeu nada e achou aquilo meio abrupto, coisa de bronco, mas a real era uma só, isso não teria acontecido se ela aceitasse que ele se masturbasse livremente. Você não acha óbvio? Não? Então leia.

Uma vez ela pegou umas revistas de mulher pelada no armário dele e um tiquinho assim: uns cinco gigas de filmes pornô no computador dele. Ela teve uma crise de ciúme, lógico, mas sem nenhuma lógica. Falou que aquilo era como trair ela, que ele era um crápula, pervertido, galinha, quase terminou a relação. Apagou os arquivos, picotou e queimou tudo e ainda ficou boladona, estilo “não vamos fazer sexo por algumas semanas”.

Ele estava proibido de bater umazinha, e tendo a censura chegado até a cabeça e os olhares do rapaz, ele me disse que ficou meio complicado de bater aquela punheta esperta sem culpa, sem achar que tava fazendo alguma coisa fundamentalmente errada, e assim foi o começo do fim de uma história de 19 anos.

Não sou a favor de pular a cerca, que fique claro. 
Só que o fato é que a maioria das pessoas 
são uma merda em monogamia.

Vou te dar uma notícia, amiga: seu namorado também bate punheta e tá tudo ok.

Uma amiga fofa falou, achando que se deu bem, que o namorado dela não batia nem uma punhetinha e ainda bem mesmo, porque ela não iria gostar dele pensando em nenhuma mulher melancia, morango, melão ou banana. Quer controlar até os pensamentos do outro, amiga? Depois termina o relacionamento e não sabe porquê.

Acorda, gatona! Uma punheta pode ser a diferença entre ele transar com aquela disk-foda dele ou só bater uma pra ela e ficar feliz de não ter ligado. Quantas vezes já ouvi isso! E digo mais, esses que dizem que não batem, são os compulsivos que curtem punheta radical em qualquer banheiro xexelento em que tenham um minuto, uma gostosa na cabeça e imaginação.

Existem momentos, técnicas e formas de bater punheta. Em uma pesquisa com mais de 100 homens nas mesas do Alfa Bar, soube-se que tem um que gosta de ver historinha pornô, outro que gosta de ver várias cenas rapidamente e depois escolher em qual goza; um outro gosta de ver a ninfeta de 15 anos gozando de verdade e outro, que é uma enciclopédia do pornô, que gosta de sexo violento com tapa na cara. Todos de idades, crenças, origens, profissões e técnicas diferentes. O ponto em comum é que todo mundo bate punheta. Moleques de sete anos batem e perguntei pra uma garotão de 69 (é 59, mas não pude evitar o trocadilho) e ele disse que bate menos, mas ainda bate. Apesar de ser casado há mais de 40 anos, esse cara falou que só pulou a cerca três vezes e muito por ajuda da punheta.

Um absurdo? Absurdo é você pensar que eu falar “Só três vezes” é um absurdo! Era melhor ter terminado uma história linda e desfazer uma família porque ele pulou a cerca? E mais ainda, vou te falar, amiga, se em 59 anos ele traiu em três ocasiões, então esse cara foi milhões de horas mais monogâmico do que infiel, ele foi monogâmico bem pacas!

Não sou a favor de pular a cerca, que fique claro. Só que o fato é que a maioria das pessoas são uma merda em monogamia. Pessoas! Homem, mulher, não tem a ver com sexos, mas tem a ver com sexo. Porque a monogamia da exclusividade no sexo, do jeito que é levada e pregada hoje, faz uma pressão escrota nos relacionamentos.

Não interessa se o camarada é casado com a 
mulher fruta do fetiche manipulado do momento, 
é muito provável que ele tenha fetiche por outras frutas.
Independentemente de macho ou fêmea, o que se espera e o que se ensina subliminarmente é que seremos monogâmicos sem esforço algum, que o desejo sexual vai só, exclusiva e naturalmente ser direcionado pra quem a gente ama.

Contraditoriamente, toda a mídia e a nossa cultura usam de tudo que é estímulo visual tentador. E assim cria-se uma confusão mental que faz muita gente falar: “Eu não amo mais minha mulher porque senão eu não estaria sentindo tanta atração por aquela ali” ou então: “Se ele me amasse de verdade não ia precisar bater punheta pra revista de mulher pelada ou de pornografia”.

As novelas, a educação, a igreja e milhares de outros, vendem a ideia de um amor romântico surreal, que prega que se você ama, ama de verdade mesmo – com A maiúsculo – você jamais deveria sentir atração e nem irá sentir tesão pela gostosa ali da praia. Pronto, pirou. Ou seja, estimulamos o seu desejo, mas não deseje!

Esse mecanismo todo gera uma insegurança tamanha, um dia uma mulher descobre o arsenal pornográfico do marido e fica super chateada como se aquilo tivesse necessariamente alguma coisa a ver com ela. Não interessa se o camarada é casado com a mulher fruta do fetiche manipulado do momento, é muito provável que ele tenha fetiche por outras frutas e bata sua punheta e tá tudo ok, amiga.

Pode parecer, mas esse não é um texto de apologia à punheta. Acho que estimular a carne pelo prazer instantâneo e descartável, bem no estilo pornô americano business “usa joga fora style”, não é bom pra cabeça e reforça a tendência ao imediatismo, ao prazer fácil e à valorizar o corpo como capital.

Além disso, apesar do que possa parecer, eu me considero romântico. Acho que a gente tem que fazer o que der pra preservar as relações não descartáveis e longas de amor, independente de qual seja o acordo que se estabeleceu na sua relação. E pra evitar esse usa e joga fora nas relações a gente tem que encarar de forma mais realista a exclusividade sexual e a monogamia, o que inclui o início desse papo: a punheta.

O que a gente tem que entender é que se você ama e opta em ser monogâmico, você pode e vai recusar fazer sexo com outras pessoas, mas ainda assim pode ser viciado em punheta e pode querer comer as gostosonas cortadas à francesa com ketchup, bater uma punheta pra elas e tá tudo ok, amiga.

Até porque você pode até tentar proibir o cara de bater punheta, e aí, ou vai ser como o casamento do início do texto, ou vai ser como disse meu amigo de 59: ela pode até controlar meus movimentos, mas nunca as minhas punhetas.

Franco Fanti é roteirista, dramaturgo e colunista do ORNITORRINCO.
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Publicado em 01/10/2013 por em Franco Fanti.
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