ORNITORRINCO

RASCUNHO PARA UM ROMANCE

Um dia vou escrever algo que começa com o seguinte anúncio:

“Periquita procura Heavy-Rocker para se aquecer, com seus longos cabelos de head-banguer, nas noites frias de São Paulo, para passeios na Augusta durante a alvorada e para transas incansáveis de domingo à tarde ao som de System of a Down.”

A história vai começar com uma menina periquitérrima de Niterói, estilo poposuda, vestido à vácuo e salto alto, que se muda para São Paulo à trabalho e que o desespero de estar há 6 meses sem encontrar alguém lhe leva a postar este anúncio. Mas calma, ela não é uma periquita qualquer. Ela é, no fundo, uma periquita dark. Frequentadora assídua da Augusta. Ela tem uma curiosidade quase mórbida pelo dark side, mas não quer comprometer seu estilo, afinal ela se amarra em Naldo. Então decide que o melhor é conhecer bem um adepto deste time.

Pausa para olhar meus cabelos brancos precoces — não gosto muito deles, mas há que dizer que eles brilham que é uma maravilha.

Ok, então de volta à historia da Periquita. O nome continua indefinido porque a inspiração ainda não bateu. Enfim, a história segue e alguém responde o seu anúncio. É Pedro, adora System of a Down e tem a curiosidade de estar com periquitas. Sempre amou meninas alternativas, punk-metal, skaters, chifres em riste. As transas incansáveis nas tardes de domingo aliciou-o logo. Os amigos o chamam de Garras, 27 anos estilo dark bear, barba e cabelos compridos mas meio agarrado com as ladies.

Pedro responde o anúncio e combinam de se encontrar num bar.

Pausa para pensar no futuro. Alguém aqui vai ter que mudar, ou a Periquita vira 100% dark, ou o dark vira play. Ou não?

Bem, hão de se encontrar num bar qualquer meio trash meio cool da Augusta, numa quinta à noite. Periquita vê Bear. Pensa que nunca viu tanto pelo num homem, mas não se incomoda com isso. Bear vê Periquita e gosta do que vê. Conversam, aquela conversa que não interessa a ninguém: nome, idade, proveniência, trabalho, gosta de São Paulo?, faz o que por aqui? E pela graça das improbabilidades, se gostam, se atraem, e têm conversa um para o outro.

Não vamos inventar que passaram a noite toda conversando e que se despediram no final da noite com um adeus e foram tomar café no dia seguinte e acabaram se casando dois anos depois. Nããão. Saíram do bar, e Bear convidou a mina para irem na casa dele. E ela foi — vá lá, duas pessoas que se conhecem por anúncio não estão procurando amor, estão procurando luxúria — fast food da carência. Despe despe Periquita, gostosa, baixinha, peitão. Despe Bear, alto, tosco, mas homem. Se entregam num ato que ela achou que seria mais bruto e que ele achou que seria mais energético, mas bom, glorificam o excitamento de quem se entrega ao errado.

Aí ela se liga que ele não era assim tão dark — tinha até vinil de Roberto Carlos. Perdeu o tesão, pegou as suas coisas e foi embora, deixando Bear meio perdido, fumando cigarro na cama.

Pausa para terminar. Por enquanto.

Sahara Boreas estuda Cultura e Comunicação Alimentar.

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Publicado em 23/09/2013 por em Sahara Boreas.
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