ORNITORRINCO

DAMAS TAMBÉM PRECISAM DE SEXO

[tradução Franco Fanti]





Se você esteve consciente neste planeta em algum momento, eu tenho certeza que você já notou que toda a nossa atenção social coletiva está focada no desejo sexual masculino. Sério, toda. Só se fala em garotos adolescentes e hormônios em fúria e testosterona e “necessidades biológicas” e cobertores tão duros que podem ser quebrados. Infelizmente não resta atenção para outras coisas, porque tudo foi relocado para o departamento do pênis.

Bom, adivinha só – ninguém quer falar sobre isso, mas as damas precisam de sexo… também.

E, de acordo com a sociedade, isso não tá ok. As damas devem querer o amor e relacionamentos e famílias e conjuntos fofos de camisola e cercas brancas de madeira. Nós somos socializadas para ser delicadas e inocentes e agradáveis. Nos incentivam a buscarmos o que queremos, contanto que o façamos quietinhas, em silêncio.

Nós não devemos querer sexo sem compromisso ou semana de trabalho de 60 horas. Nós devemos querer múltiplos bebes, mas não múltiplos orgasmos e parceiros. Quando as mulheres tomam conta de si mesmas, das suas carreiras, dos seus corpos, das suas sexualidades, e (Deus nos livre) das suas vidas, as pessoas tendem a surtar um pouco. Quero dizer, a internet basicamente parou quando Miley Cyrus cortou o cabelo curto, o que você acha que isso diz sobre nós?

No colégio eu li um livro idiota chamado “Porque é que os Homens Nunca Ouvem Nada e as Mulheres Não Sabem Ler os Mapas de Estradas” e tinha um bando de gráficos e tabelas e explicações de por que homens e mulheres são diferentes e porque a ciência, e naquela época parecia fazer sentido, mas agora eu percebo que essas coisas fazem parte do problema. Eles se aproveitam de diferenças evolutivas vagas entre homens e mulheres, para construir esses conceitos sociais de “masculinidade” e “feminilidade” aos quais nós devemos nos agarrar.

Na real, o problema é que damos gênero as coisas. Nós damos gêneros a tudo, desde roupas, atitudes e apetites sexuais até emoções humanas. Vemos, emoções universais completamente comuns, como amor e luxúria, como femininas e masculinas, respectivamente. Minha namorada fazia isso comigo o tempo todo – se eu era carinhosa ela dizia,”Você tá sendo uma mulherzinha agora!” mas se eu era fria e insensível ela virava os olhos e me a chamava de homem.

Mas por quê? Por que tem que ser um ou o outro? Por que eu não posso ser uma mulher que gosta de sexo e cerveja e 300 tanto quanto ela gosta de batom e salto alto? Por que eu não posso gostar de sexo sem compromisso sem ser acusada de ter um “cérebro masculino”? Por que é sexy quando as mulheres usam roupas masculinas, mas ridículo quando os homens usam roupa de mulher?

Existe, obviamente, um estigma de ser mulher e falar abertamente sobre nossas necessidades sexuais, mas isso é provavelmente porque há uma espécie de estigma associado à feminilidade em geral. E, como ilustrado no ridículo do primeiro parágrafo, existe o mesmo estigma ligado à masculinidade. Misteriosamente, porém, as pessoas ainda são criticadas por não “se encaixar” nos seus gêneros. Ainda.

Dito isto, eu estou tão cansada desse papo que “as mulheres são assim” e “os homens são assado”. Nós nunca vamos avançar se não pararmos de ficar dando gênero as coisas e simplesmente vê-las pelo que elas são, nós estamos em 2012 e pessoas são pessoas e nós superamos essa merda compartimentada.

Porque, caso ainda não esteja claro, damas são pessoas e damas precisam de sexo… também.

Mila Jaroniec é escritora americana e mora em Nova York. 

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Publicado em 02/06/2013 por em Mila Jaroniec.
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