ORNITORRINCO

FEICEBUQUE, LOBÃO E DAFT PUNK

Difícil pensar que somente a qualidade artística e técnica pode elevar um trabalho musical ao status de mainstream. Nem mesmo atributos como carisma, técnica, network, gestão de carreira e sorte são decisivos. O tal sucesso também tem se redefinido a cada dia, a cada clique. 

Dada a enxurrada de coisas novas, em parte boas e inventivas, fico questionando o valor de estar nas redes sociais e o valor de alcançar milhares de likes. Esse “sucesso internético”, pelo menos no Brasil, ainda não paga as contas de músico nenhum. Não que eu saiba. Pouco/quase nada atinge economicamente um artista com os likes de sua página. Ah, você tem 30.000 likes? Tem um Zé das Couves que nunca fez um show que tem 50.000. 

Páginas em redes sociais lotadas de gente não garantem casa cheia, nem shows calorosos e nem cachês gordos. Ajudam a vender CD on demand, mas parafraseando um amigo que diz parafrasear Caetano, “no final a conta nunca bate”. O número de likes e hashtags não é proporcional ao número de grana que se movimenta. É, o passarinho e a telinha azul não são tudo. 

Tom Zé tem dado aula de sagacidade, não é? Mas aí a gente cai no papo do background e relevância artística que é sim complementar, mas também não é decisiva. A oportunidade seria pista de pouso e não o pulo do gato.


Mas eu sou um Zé Ninguém e estou apontando caminhos? Alto lá, cara-pálida. Duvido muito que eu tenha entrado nessa por grana ou para comer só as gatas. Ainda acredito no amor e na necessidade desse desprendimento e mudança que a arte pode proporcionar a esse cotidiano chato. Eu artista quero uma forma de viver bem trabalhando no que me dá prazer. Esse é o sucesso.

Acredito que aura folclórica (merecida) que envolve o Daft Punk é um dos grandes responsáveis pela torrente de informações acerca do disco novo. Existe sim um trabalho de mídia, uma gestão bem feita, mas não acredito que isso bastaria para um novo artista brasileiro. Aliás, o disco do DP é bom, mas não é coca-cola nenhuma. Tom Zé foi quem acabou virando a coca-cola de cabeça pra baixo! Parece piada o monte de hype jogando essa bola pro alto sem sequer refletir que a palavra compartilhar tem sentido muito mais amplo e profundo no mundo real.

Já o Lobão sacou que tem que ser saci pererê nesse sítio e, polemicamente, está colocando seu chapeuzinho vermelho e pulando em um perna só.

Os caminhos parecem se desenhar de mil formas, mas mais devagar que a banda larga daqui de casa.


Juliano Rabujah é músico, compositor e produtor.

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Publicado em 22/05/2013 por em Juliano Rabujah.
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